Funcionários decidem o conteúdo do aprendizado.
Fevereiro 11th, 2008
Pedro Bueno Lobato
Facilitador da B&P Diagnóstico e Capacitação
www.bep.site.com.br
Tenho assistido a palestras e lido artigos de pessoas que misturam escolaridade com capacitação. Aceito com cuidado as novas fórmulas e técnicas de diagnósticos e treinamento profissional.
Coordenadores e facilitadores têm de ser, cada vez mais, andragogos e menos pedagogos.
Andragogia é a arte de educar adultos. A Andragogia e a Pedagogia formam a Antropologia que é a ciência de educar o ser humano em qualquer período de seu desenvolvimento psíquico, em função de sua vida cultural, ecológica e social.
Adultos se sentem motivados a aprender quando concordam com as vantagens e benefícios de um aprendizado, quando enxergam as conseqüências negativas de seu desconhecimento.
Não devemos misturar a Andragogia com a Pedagogia. Ainda que tenham os mesmos fins, seus campos e forma de ações são diferentes. Profissionais, que participam de uma capacitação, fazem-no com maturidade e independência, por isso têm consciência do que não sabem e do quanto esse desconhecimento lhes faz falta.
Alguns professores especialistas conseguem resultados pequenos no mercado atual, usando técnicas complexas e muito teóricas, pacotes de cursos traduzidos do inglês, e explicando duas, três vezes sem que os interessados entendam. A força maior está na experiência e na vivência do grupo, que levanta objeções, “focos de incêndio”, dificuldades. O grupo define o que é necessário aprender. As técnicas e soluções são elaboradas a partir dos conflitos anotados nas situações vividas, não há exemplos, simulações ou hipóteses. O ensino é concentrado em assuntos de aplicação imediata, em exercícios que desenvolvem habilidades para serem usadas na profissão, no papel social, de forma imediata. A experiência dos participantes passa a ser o substrato, o fundamento do aprendizado.
Durante os trabalhos fica claro que não há diferenças entre os facilitadores e o grupo, as experiências são misturadas de forma dinâmica e discutidas. Há uma nova atitude diante do crescimento profissional.
1 – Os resultados que a empresa quer.
2 – As expectativas do grupo.
3 – O “Inventário Motivacional” do grupo.
4 – O conhecimento e o desconhecimento do grupo.
5 – O consenso daquilo que precisamos aprender para atingir os objetivos.
Cada aprendiz tem sua experiência e expectativas próprias. A soma do que sabemos e do que esperamos aprender define o conteúdo do curso. O facilitador coordena as atividades, estimula os participantes, clareia os objetivos, instrui e aplica os exercícios, participando como um aluno que tem alguns conhecimentos que serão usados depois de somados às contribuições, conhecimentos e experiências de todos.
Assim conseguimos um resultado que atenda a empresa e satisfaça o grupo.
A satisfação profissional não se dá por meio de uma escolha, e sim, pelo exercício. O exercício muda quem o faz e o destino de quem o faz.
Ele me ama/ Henriqueta Giorgio
Fevereiro 6th, 2008
Toda idéia que eu tenho não vai dar certo, isto é, toda vez que eu digo para ele que tive uma idéia ele diz que não vai dar certo. É o jeito dele.
Eu até entendo que ele me critique e aponte meus defeitos o tempo todo, ele quer que eu melhore, que eu me corrija, ele me ama.
Eu faço a minha parte. Entendo-o com sua mania de definir os lugares onde deve ficar tudo, até o meu armário do banheiro é ele quem arruma. Meus potinhos de cosméticos e meus vidrinhos de esmalte, base e outras coisas são sempre arrumados do menor para o maior, tudo em escadinha. Ele até apelida as vasilhas da cozinha, a caneca menor, de ferver água, é o soldado, depois vem o bule que é o cabo, a frigideira é o sargento e por aí vai até o general que é nossa panela de fazer arroz no domingo para a turma toda. Eu acho até legal, só fico um pouco aborrecida quando troco o nome de uma panela e ele fica nervoso.
Eu não preciso ler jornal nem conversar com minhas amigas, ele me põe a par de tudo, me conta tudo, e não faz fofoca, ele diz que é reportagem, assim fica até bom pois eu fico sabendo sempre de quem ele gosta e de quem ele não gosta, estou me referindo aos meus parentes, é claro. Eu só estou um pouco preocupada porque não disse a ele que estou indo a Igreja. Ele diz que é besteira, mas vou arrumar um jeito de contar para ele.
As pessoas dizem que ele é violento, xinga garçom, cria caso com trocador de ônibus, bate muito nos meninos, e que está respondendo a uns processos aí por abuso de autoridade, espancamento. É tudo mentira, ele nunca levantou um dedo pra mim, ele me ama.
Vai dar Merda
Fevereiro 6th, 2008
Vai Dar Merda
“Mãe, conheceu na Internet?”
“Vai dar merda.”
Este é o comentário único de meu filho depois de qualquer confidência amorosa minha.
Quando consulto meus amigos amigas da Net, a reação também é única: “Eu sou exceção”.
Ineficiente seria o relato de experiências isoladas, os técnicos diriam que a amostragem é pequena, por isso, sem tendências, meu depoimento abaixo é apócrifo, literário.
Conheci uma homem pela Net, tudo normal, alguns e.mails trocados, telefonemas e o primeiro encontro, numa dessas salas de cinema. Encantei-me. Depois de alguns cafés, beijos na despedida e a natural “quarentena”, que durou uns 15 dias, iniciamos um namoro. Namoro? que nada! e a coragem para dar nome? Fomos juntos e acertados para o que chamamos de “seja lá o que for”, cada qual com sua expectação, sua espera, seu designio, sua vontade.
Havia um desiderato comum: fazer o outro feliz, e, por conseqüência, proteger, cuidar, amar e ser amada. Eu e ele levamos conosco nosso atavio familiar e individual. Nem eu, nem ele fomos só eu e ele, mais que nós e além de nós, fomos nosso passado, nossas pendências, nossos filhos, a condição e o estado: situacionais.
Levar um “seja lá o que for” requer coragem, determinação, consenso e sutileza. Caminho para desassociar e compartir. Há de se ter a presença constante da disposição sincera de entender as limitações do outro. Fizemos isso, conversamos sobre isso, vislumbramos, combinando alguns prazos, enxergamos o encaixe das dificuldades e das pendências no tempo, até que surgiram novos fatos, novas dificuldades que culminaram em surtos de comportamento. Fomos do “precisamos conversar” até o “quando estou assim preciso ficar só”. Tivemos que, separados, com essas novidades de cada “eu”, reavaliar nossas intenções em relação ao outro.
Quando conhecemos alguém pela Net, além de queimarmos a etapa natural de ver a pessoa e iniciar o encanto pelo visual real e não pela expectativa do que seria, somos impelidos a falar de nós mesmos informando mais o que gostaríamos de ser e menos o que somos (ou estamos) ainda. Essas “novidades”, no início, nos encantam, pouco depois, nos desnorteiam quando conhecemos melhor a outra pessoa.
Imagino que cada um de nós espera conseguir no outro o que nos falta, as nossas ações compartilháveis. Entregamos ao outro a realização de nosso desiderato, resumido na simplicidade de fazer o outro feliz.
Repito com freqüência, que o que fazem conosco é sempre permitido por nós mesmos. É nossa responsabilidade conhecer a leveza humana e refrear nossas expectativas, da mesma forma que temos a decisão da escolha em aceitar ou não o que nos fazem.
Quando os relacionamentos se enfraquecem, insistimos em saber do outro, os desejos, os propósitos. O que conseguimos escutar, na maioria dos casos, é a solicitação para fazermos o que for mais confortável para nós, o que vai trazer menor sofrimento.
Não há mais desejos.
Relembro meu “seja lá o que for” junto com a certeza de que meus desejos são o reflexo do que eu faço hoje, aqui, agora, e do que me fazem hoje. Minhas atitudes e as atitudes dele são as sementes que plantamos. Não nos vermos é o que estamos colhendo. Eu não soube como mostrar a ele que nosso futuro é hoje, só hoje.
Meu filho pode ter lá sua razão: deu no que deu.
Henriqueta Giorgio
Meu “marinado” bebe
Fevereiro 6th, 2008
Todas as vezes que meu “marinado” (marido com namorado) chega em casa bêbado eu o trato com firmeza. Digo a ele que não se aproxime de mim. Que tome um banho e vá dormir.
A dor dele não é menor que a minha, mas é necessária para processo de tratamento do seu comportamento provocado pelo alcoolismo.
Eu assumi com ele um comportamento radical, só converso quando ele esta sóbrio. Não ofereço ajuda sem que ele me peça. Deixei de ser prestativa. Estou presente, mas só tomo iniciativa de participar quando ele me pede, sóbrio. Deixo transparecer que não concordo com o comportamento dele. Isso não significava que eu parei de me preocupar com ele, eu só não posso resolver os problemas dele. Não significa isolar-me, eu não controlo a vida dele.
Nós não estamos tornando as coisas mais fáceis, mas extraindo lições das conseqüências dos nossos atos. Não estou assumindo minhas limitações, e sim entendendo que o resultado final não depende só de mim.
Minha vontade não é modificar ou culpar meu marinado: eu só posso modificar a mim. Não significa deixar de prestar assistência; significa continuar a demonstrar interesse, mas, eficiente, quando necessário, nos momentos de precisão. Também não significa jogar a culpa nele, mas ter espírito de solidariedade. Deixando de me relacionar com ele embriagado não é julgar, mas admitir que meu marinado é um ser humano. Uso este artifício não para intrometer-me tentando resolver o problema dele e sim permito que ele encontre as soluções por conta própria. Nunca deixei de ser sua mulherada (mulher e namorada), só permito que ele enfrente a realidade. Não o rejeito, não resmungo, censuro ou discuto, eu só aceito as próprias falhas e as corrijo. Eu não estou adaptando o meu marinado conforme meus desejos, mas aceitando cada dia como ele esta e procurando apreciar os momentos de sobriedade. Eu não critico e nem controlo, eu estou me comportando como a pessoa que eu gostaria de ser. Não me arrependo do que faço, eu adquiro experiência para viver o futuro. Aprendo temer menos e amar mais.
Henriqueta.
Medrar
Fevereiro 6th, 2008
Medrar
Texto de Henriqueta Diorgio
Medrar é crescer, brotar. “Lá no solo onde o cardo apenas medra/ Boceja a esfinge colossal da pedra/ Fitando o morno céu”.(Castro Alves, Obra Completa, página 292.).
Quando nos dizem: “O problema não é você, sou eu”, pode estar certa minha amiga, o problema é você, não é ele. Ele só esta tentando dizer-lhe isso de forma mais polida, mais suave. O problema é você, e, é possível, que ele ainda a considere e que ainda haja uma forma de você reconquistá-lo.
Se ele a ama, há consideração, você é o objeto dos sentimentos dele, ele a admira, ama, respeita, ele se orgulha de você, demonstra e tem atitudes de carinho, de atenção, mas ele sente um problema qualquer relacionado a você. Este sentimento foi enviado ao cérebro que o transformou em pensamentos, estes pensamentos foram influenciados pelas informações cognitivas dele e condensados em uma idéia. Esta Idéia não foi codificada de forma correta e se transformou no enunciado acima: “O problema não é você, sou eu”. Nesse caso, ele pode até estar tentando perguntar-lhe se pode ajudá-lo na solução.
Se ele está magoado ou ressentido com você, há consideração, você ainda é o objeto dos sentimentos dele, da mágoa, do ressentimento, do amor, do respeito, do carinho, apesar de você haver feito algo que o deixou magoado ou ressentido. Nesse caso, ele precisa das suas desculpas, das suas explicações. Se você for sincera e cuidadosa, esses sentimentos ruins poderão desaparecer, ser minimizados e esquecidos até.
Se ele a está desprezando e demonstra raiva, ódio, note que ainda assim há a consideração. Para desprezar, ter raiva ou odiar alguém, há necessidade do objeto desses sentimentos que ainda estão misturados com o amor, com o desejo. Há um embotamento qualquer no raciocínio que faz com que ele não consiga transmitir sua idéia que fica escondida no enunciado “O problema não é você, sou eu”.
Se, porém, ele a estiver ignorando a ponto de nem querer conversar ou discutir “O problema não é você, sou eu”, pode estar certa de que não há mais consideração. Quando alguém a ignora, nem o objeto desse sentimento você é mais, ou melhor, não há sentimento, só atitude, não há desejo e nem consideração. A sua presença e sua ajuda não são necessárias. Está na hora da sua saída estratégia. Saia e fique observando de longe. Se você perceber algum desprezo, ódio, raiva, mágoa ou ressentimento, verá que há sinais de consideração. Nesse caso você pode, com cuidado e aos poucos, ir voltando. Você vai enfrentar um desconforto, mas, se há sentimentos, mesmo negativos, esteja certa de que você é o objeto destes sentimentos. Você faz parte, não está sendo ignorada, há de volta a consideração. Tenha em mente, nesse momento, a idéia real de tudo que você pode oferecer e esteja disposta para o resgate do afeto. Havendo consideração, há terra boa para o plantio de uma muda de amor enxertada com autoconhecimento, com o que você pode oferecer de verdade. Plante e espere a medrança.
Alô! Henriqueta?
Fevereiro 6th, 2008
- Alô.
- Marina?
- Sim.
- Henriqueta.
- Oi amiga, quanto tempo! Já estava com saudades.
- Eu também.
- Precisamos marcar um chopp.
- Precisamos mesmo.
- E aí, me conta, namorando ainda?
- Estou, mas ele está um pouco distante, esfriou.
- O que houve?
- Acho que foi porque eu reclamei que ele estava apertando meu silicone.
- Não devia.
- Eu sei, mas ele é muito intenso e eu tenho que dar uma controlada.
- Mas um homem intenso é tudo de bom.
- Eu sei, mas quando ele aperta meu rosto quase estraga meus retoques de botox.
- É, isso é ruim.
- Além disso, ele gosta de fazer carinhos nos meus cabelos.
- E isso não é bom?
- É, mas ele acaba com meu megahair!”
- Você precisa ser mais paciente com ele.
- Eu sei, mas eu não agüento essa mania dele de me alisar todo dia, mesmo quando não estou depilada.
- Mas você falava tão bem das carícias dele.
- É, mas ele está exagerando. Acredita que ele derramou mel nos meus seios e queria que eu bebesse champanhe com cereja no seu umbigo?
- Nossa! Quem me dera, nessa idade, arrumar um namorado que faça isso comigo.
- Que isso amiga, você tem idéia da quantidade de caloria que há numa cereja?
- E o namoro está esfriando?
- Está, será que é porque eu estou com uns três quilos sobrando? Preciso fazer um regime.
A Terceira Onda
Fevereiro 6th, 2008
A Terceira Onda
Abro meus e-mails e vejo um convite de uma amiga para jantar. Poucos convidados, alguns descasados, frutos do mar, frutas, música, vinho e champanhe. Motivo da comemoração: Um ano de “seja lá o que for”, namoro? Ficando? Gostando? Amando? Ela não sabe; melhor, eles não sabem. Um ano.
Lembro que escutava de meus pais que o amor é eterno, que o casamento é para sempre, até surgir a segunda onda: “o amor é eterno enquanto dura”; foi um desastre, não durou, a maioria dos casais separou, deu um tempo, rompeu. Experimentamos a dor da ruptura, quase todos nós. Toda ruptura é dolorida.
Minha amiga comemora um ano de “juntos” e dá a fórmula:
“Escolha uma pessoa que não faça você se apaixonar, que não goste tanto de você, que não tenha ciúmes, que não seja possessiva.”
Essa é a formula ideal para a terceira onda: o amor cíclico. Ele dura de três meses a três anos e acaba. Aí vem a ruptura e a dor. Desta vez uma dor suportável, mais branda, porque não há paixão, amor de verdade.
Quando encontramos alguém parecido com a gente, com nossos ideais, com disposição para viver junto o resto da vida, para ser fiel, companheiro, amante, cúmplice, vem a realidade paralela carregando as lembranças das dores de rupturas anteriores e nos alerta: Se você estiver amando a pessoa certa, o amor vai ser pleno, intenso, difícil, invejável, e, em no máximo três anos, vai acabar, e vai doer, muito.
Não é assim que me sinto, não é assim que quero, que penso; porém tenho que registrar a conclusão da maioria de minhas amigas, conclusão idiota e infeliz:
“Melhor procurar outra pessoa, menos amável; assim, vamos poder comemorar um ano, dois anos, três anos de “seja lá o que for”, até a hora de trocar de amor, por um amor parecido, sem compromisso, permissível e tolerante. Vai doer menos, talvez nem doa.”
Henriqueta Giorgio
Capacitação Andragógica
Novembro 20th, 2007
A B&P trabalha com capacitação profissional. Nossos alunos têm maturidade e independência, por isso, têm consciência do que não sabem e o do quanto este desconhecimento lhes faz falta.
Apostilas, textos e professores têm um papel secundário no trabalho. A força maior está na experiência e na vivência do aprendiz, ele é quem levanta as objeções, os “focos de incêndio”, as dificuldades e o que é necessário aprender.
As técnicas e soluções vão sendo instruídas a partir dos conflitos anotados nas situações vividas, não há exemplos ou simulações hipotéticas. O ensino é concentrado em assuntos de aplicação imediata e prática para o grupo, em exercícios que desenvolvem habilidades para serem usadas na profissão, no papel social, de forma imediata. A experiência dos participantes passa a ser o substrato, o fundamento do aprendizado.
Durante os trabalhos fica claro que não há diferenças entre os facilitadores e o grupo, as experiências são misturadas de forma dinâmica e discutidas. Há também nos facilitadores uma postura para o aprendizado e a conseqüente demonstração de entusiasmo e motivação que reforça a idéia de que o que aprendemos transforma nossa vida.
Os exercícios e os trabalhos em grupo são inspirados em filmes de animação para a descontração e a participação ativa, a apostila vai sendo elaborada pelo grupo durante o curso e serve como um contrato de intenções, um registro de participação.
O grupo se surpreende com as técnicas e com a utilidade delas.
A cada curso, a B&P no papel de facilitadora, cresce no conhecimento, tanto quanto os aprendizes.
O segredo é a descoberta do potencial de todos para o crescimento e para o sucesso.
Psicomotricidade, Yoga e o Corpo
Novembro 19th, 2007
Ana Nilce Pettinate
Psicologia é a “ciência do comportamento” e teve sua origem na filosofia.
A psicomotricidade baseia-se em uma visão global da pessoa e integra as interações cognitivas, emocionais, simbólicas e sensoriomotoras na capacidade de ser e de expressar-se num contexto psicossocial.
A yoga vem da raiz sânscrita yuj, que significa unir e tem como tema de trabalho o corpo. Seus objetivos são o autoconhecimento, o equilíbrio entre o corpo e a mente, a saúde física e espiritual e a comunhão entre o indivíduo e o todo, fornecendo os meios adicionais de percepção necessários à expansão de nossa consciência.
A hatha yoga é uma yoga de integração total. É conhecida como a ciência da saúde perfeita e considerada uma das formas mais tradicionais da prática.
Podemos definir o corpo de várias maneiras e de diferentes formas: biológica, física, espiritual, intelectual, emocional, poética, filosófica. Biologicamente, sabemos que o corpo é composto de uma ou de mais células. A célula é a unidade básica da vida ou a menor unidade capaz de manifestar as propriedades de um ser vivo. Alguns estudos mencionam a existência de um psiquismo na célula. Psiquismo vem do grego psykhé + ismo e pode ser definido como um conjunto das características psicológicas de um indivíduo. O psiquismo é a meta mais alta da vida e se fixa nos órgãos e nas formas da vida, se revelando e se exprimindo, mas a continuação da evolução orgânica só pode ocorrer a partir da evolução psíquica. Se observarmos o aspecto dinâmico da vida, temos a evolução como finalidade da vida, logo o objetivo da evolução é o psiquismo.
Com um conceito ainda obscuro, controverso e impossível de definir nos limites de nossa linguagem, a mente é o estado da nossa consciência ou subconsciência relativo ao conjunto de pensamentos gerados pelo cérebro humano. O termo é utilizado para descrever as funções mentais, como o pensamento, a razão, a memória, a inteligência e a emoção e também a personalidade.
Yoga significa união: a união entre instinto, emoção e razão; união da consciência mental com a consciência espiritual. Usando uma linguagem ocidental, a união do ego com o si mesmo (self), no que Jung chamou de processo de individuação ou realização da função transcendente. Para a yoga, a anatomia do homem vai muito além da dimensão material do corpo físico.
A psicomotricidade baseada numa visão holística do ser humano integra as funções cognitivas, emocionais, simbólicas e motoras, promovendo a capacidade de ser e de agir num contexto psicossocial. É um campo que estuda e investiga as relações entre o psiquismo e a motricidade. (psico => social, afetiva, cognitiva e motricidade => atividade dinâmica, movimento do corpo, base neurofisiológica.)
Numa visão técnica, a yoga é também globalizante, porque trabalha com todos os níveis da consciência humana: o corpo, a energia vital, as emoções, o pensamento e a intuição.
A psicomotricidade como a yoga trabalha o corpo em movimento e em relação ao seu mundo interno e externo. É no movimento que as pessoas transmitem emoções, sentimentos, comunicam suas descobertas e criações. A yoga e a psicomotricidade se encontram em função das experiências vividas pelo sujeito cuja ação é resultante de sua individualidade, sua linguagem e sua socialização. A yoga é um processo e não somente uma técnica voltada para o corpo. É a unificação de si mesmo na busca da harmonização de todos os níveis da consciência humana: o corpo, a energia vital, as emoções, o pensamento e a intuição. A prática da yoga conduz a um despertar progressivo da atenção e da concentração da mente voltada para si mesma, procurando favorecer o bom funcionamento orgânico, para que o corpo goze de um bom estado de saúde e conserve a vitalidade por mais tempo.
A psicologia é a “ciência do comportamento”, numa linha humanista, preconiza objetivos bem semelhantes aos da yoga: uma vida saudável, com auto-suficiência, vitalidade, satisfação e alegria, longe dos conflitos e tensões do dia-a-dia.
Tanto a psicologia quanto a yoga exploram a alma humana por caminhos às vezes desencontrados, às vezes paralelos, mas que se cruzam no objetivo final: o autoconhecimento. O autocontrole conseguido pela prática e vivência da yoga propicia o equilíbrio da personalidade, sobrepondo-se aos maremotos dos conflitos existenciais.
Se a yoga é um caminho para a liberação da consciência em busca de si mesmo, um processo contínuo de aperfeiçoamento, uma perspectiva de união da totalidade do ser, a psicologia em sua linha humanista, transpessoal, espiritualista e moderna, na sua subjetividade, segue por caminhos similares, apoiando-se nas aquisições da ciência formal e assimilando as contribuições de todas as outras abordagens teóricas citadas, e ainda dá alguns passos a mais, pois apresenta um paradigma de orientação holístico, que vislumbra o ser humano em sua totalidade - biológico, o psíquico, o social e o espiritual.
O Exercício
Novembro 1st, 2007
“O exercício andragógico determina a qualidade do trabalho à medida que cria oportunidade para, sem reservas, experimentar. A prática dos exercícios aproxima os experimentos das expectativas, ensina fazer melhor e confiar; enseja emoções inteligentes, novos impulsos e novas idéias; cultiva sinergia e permite eficiência.”
Pedro Bueno Lobato